Várias definições podem ser avançadas. Optamos por uma proposição consensual:
A grafologia constitui um instrumento de conhecimento da personalidade do autor de uma escrita, através da sua análise ‘’metodo-lógica’’ e, mais exactamente, dos componentes da escrita e dos gestos gráficos e manuscritos da pessoa.
O grafólogo encara a escrita, ou grafia, sobre o ponto de vista da linguagem gestual, ou seja do conjunto de gestos e traços inerentes ao escrevente, num sentido de entender e discernir o seu carácter (constantes e tendências), o que constitui a grafognosia. Esta disciplina pode ser denominada ‘’psicologia da escrita’’, na medida em que os parâmetros analisados se referem à personalidade do escrevente e à psicologia do gesto.
Falar de psicologia do gesto, tem a ver com à expressão corporal e não-verbal que acompanha as palavras. Os gestos, na sua generalidade como na sua particularidade, são portadores de uma dimensão afectiva, cognitiva, projectiva e simbólica. A linguagem gestual é ligada às emoções e sentimentos próprios à cultura e ao indivíduo, e traduzem um estado de ser. É através da activação de um impulso involuntário ou intenção voluntária, que os gestos vêm apoiar, insistir, ampliar, mas também atenuar, aliviar, minimizar, disfarçar, camuflar, e mesmo substituir as palavras. O acto manuscrito é um conjunto de gestos que caracterizam a maneira de conceber e fazer do escrevente, o que revela, consequentemente, a sua personalidade, com a diferença que denunciam o disfarce e a dissimulação. Cada indivíduo possui a sua escrita, da mesma forma que tem as suas impressões digitais, o seu tom e ritmo de voz, a sua maneira de andar e de se movimentar, e tudo o que caracteriza a linguagem verbal e não-verbal.
1/02/2009
O que é necessário para efectuar uma análise grafológica ?
Todas as escritas se apoiam num modelo caligráfico de base, adquirido durante a aprendizagem escolar, instituído, explicita ou implicitamente, pela cultura nacional. No entanto, durante o percurso evolutivo, cada um personaliza, a vários graus, a sua escrita, pelas alterações e modificações trazidas ao modelo de referência. Desde já lembramos que qualquer análise grafológica, obriga a conhecer as origens culturais do escrevente, a sua idade, a mão e o género. Para optimizar o estudo, o grafólogo necessita, além dos dados acima descritos, de dois especímenes de escrita com a assinatura, e um conhecimento das circunstâncias em que foram efectuadas as cartas ou documentos.
A grafologia: um teste de projecção ?
Numa perspectiva psicológica, e mais precisamente psicotécnica, cada pessoa projecta o seu estado de ser, através das suas acções e reacções, relações e realizações, da sua forma de comunicar, da sua assertividade, da sua linguagem gestual, e comportamentos em geral. Todo esse conjunto de variáveis reflecte e exprime uma diversidade de emoções, intenções, mensagens, tendências psico-afectivas significativas, e o modo de relação interpessoal e intra-pessoal, no interior dum espaço de comunicação mais ou menos definido. Todas as escritas se desenrolam num espaço de comunicação determinado, que é a página, e apresentam diferentes variáveis nos componentes gráficos, que são: a forma, a dimensão, a direcção, a pressão, a velocidade, a organização e outros componentes da escrita. Desse ponto de vista, a grafologia representa um teste de projecção, permitindo uma identificação e descrição da personalidade do escrevente, através duma análise sistemática desses componentes e das significações correspondentes.
Quais os campos de aplicação da grafologia ?
A utilização da grafologia estende-se a várias áreas, dependentemente do país e das contingências socioculturais. Todavia, podemos indicar os principais sectores de actividade onde a grafologia traz um contributo significativo.
Recrutamento de candidatos no ramo da selecção profissional
Instrumento complementar de avaliação e selecção, em referência ao perfil do posto em causa.
No campo judicial
Perícia de documentos: verificação e autenticação de documentos suspeitos de imitação, falsificação, contrafacção, etc. Grafo-análise ou grafoscopia.
Na área da psicologia
Em psicologia aplicada: elemento de psicodiagnóstico no quadro de diversas abordagens; psicoterapia, psicopatologia e psiquiatria.
Em psicometria: estudos experimentais e provas de validação das correlações psicografólogicas estatisticamente comprovadas. Grafometria.
Em psicologia vocacional: instrumento complementar de orientação socio-profissional.
Em psicosociologia e psicologia diferencial: estudos estatísticos sobre amostras de populações determinadas (criminosos, delinquentes, outros), em vista a validar hipóteses e prever a ocorrência de comportamentos típicos ou atípicos.
Em psicologia teórica: elaboração e confirmação de conceitos psico-grafológicos. Pesquisas.
No campo da educação
Instrumento de identificação e correcção de dificuldades grafo-motrizes (dislexia, disortografia).
Crescimento pessoal Psicologia individual, grafoterapia (auto-conhecimento e auto-crescimento).
Recrutamento de candidatos no ramo da selecção profissional
Instrumento complementar de avaliação e selecção, em referência ao perfil do posto em causa.
No campo judicial
Perícia de documentos: verificação e autenticação de documentos suspeitos de imitação, falsificação, contrafacção, etc. Grafo-análise ou grafoscopia.
Na área da psicologia
Em psicologia aplicada: elemento de psicodiagnóstico no quadro de diversas abordagens; psicoterapia, psicopatologia e psiquiatria.
Em psicometria: estudos experimentais e provas de validação das correlações psicografólogicas estatisticamente comprovadas. Grafometria.
Em psicologia vocacional: instrumento complementar de orientação socio-profissional.
Em psicosociologia e psicologia diferencial: estudos estatísticos sobre amostras de populações determinadas (criminosos, delinquentes, outros), em vista a validar hipóteses e prever a ocorrência de comportamentos típicos ou atípicos.
Em psicologia teórica: elaboração e confirmação de conceitos psico-grafológicos. Pesquisas.
No campo da educação
Instrumento de identificação e correcção de dificuldades grafo-motrizes (dislexia, disortografia).
Crescimento pessoal Psicologia individual, grafoterapia (auto-conhecimento e auto-crescimento).
No caso de recrutamento, quais os aspectos que o grafólogo pode identificar ?
Antes de mais, no contexto de recrutamento, por razões e obrigações éticas, a personalidade é abordada exclusivamente sobre o ângulo das capacidades intelectuais, organizacionais, socio-relacionais e a honestidade. As disposições e orientações íntimas e outros aspectos privados não são abordados. As características e qualidades mais frequentemente avaliadas são:
Ao nível intelectual: habilidade a elaborar conceitos e realização prática, pragmatismo. Raciocínio (dedutivo, intuitivo, indutivo). Capacidade de abstracção e de resolução de problemas. Flexibilidade intelectual e abertura de espírito. Facilidade de análise e/ou de síntese. Objectividade. Criatividade, originalidade de ideias. Velocidade de pensamento. Facilidade de associação de noções, ideias e opiniões.
Ao nível organizacional: gestão das actividades - aptidões para o Planeamento, Organização, Direcção, Controle e Estratégia (P.O.D.C.E). Força de vontade, motivação e dinamismo. Capacidade de liderança, espírito de decisão, características de comandante ou de subalterno. Resistência ao stress e a pressão. Perseverança para prosseguir as metas. Metodologia no procedimento das ocupações. Grau de autodisciplina. Aptidões para persuadir, convicção interna. Aptidões comerciais e capacidade de antecipar. Capacidade para improvisar, adaptar e actuar frente as mudanças e ao desconhecido - pró-activo.
Ao nível socio-relacional : assertividade, tipo de comunicação (dominante/dominado, igual). Respeito das regras, das normas, grau de convencionalismo. Espírito de equipa, sentido de compromisso e de conciliação. Equidade. Gestão de conflitos. Aptidões para a negociação e para a empatia. Capacidade de adaptação interpessoal. Equilíbrio emocional. Interesses, valores, ética. Sinceridade e honestidade.
Ao nível intelectual: habilidade a elaborar conceitos e realização prática, pragmatismo. Raciocínio (dedutivo, intuitivo, indutivo). Capacidade de abstracção e de resolução de problemas. Flexibilidade intelectual e abertura de espírito. Facilidade de análise e/ou de síntese. Objectividade. Criatividade, originalidade de ideias. Velocidade de pensamento. Facilidade de associação de noções, ideias e opiniões.
Ao nível organizacional: gestão das actividades - aptidões para o Planeamento, Organização, Direcção, Controle e Estratégia (P.O.D.C.E). Força de vontade, motivação e dinamismo. Capacidade de liderança, espírito de decisão, características de comandante ou de subalterno. Resistência ao stress e a pressão. Perseverança para prosseguir as metas. Metodologia no procedimento das ocupações. Grau de autodisciplina. Aptidões para persuadir, convicção interna. Aptidões comerciais e capacidade de antecipar. Capacidade para improvisar, adaptar e actuar frente as mudanças e ao desconhecido - pró-activo.
Ao nível socio-relacional : assertividade, tipo de comunicação (dominante/dominado, igual). Respeito das regras, das normas, grau de convencionalismo. Espírito de equipa, sentido de compromisso e de conciliação. Equidade. Gestão de conflitos. Aptidões para a negociação e para a empatia. Capacidade de adaptação interpessoal. Equilíbrio emocional. Interesses, valores, ética. Sinceridade e honestidade.
Quais as vantagens da análise grafológica no processo de recrutamento ?
Tal como quaisquer outras medidas psicotécnicas ou testes para optimizar o processo de avaliação e selecção de candidatos, a análise grafologica intervém de forma complementar para favorecer uma escolha adequada, e assim evitar erros de apreciação. Em certas empresas, mais frequentemente em França e na Alemanha, pode ocorrer como instrumento principal. As vantagens principais são relacionadas ao facto de que o procedimento para efectuar a análise grafologica é mais simples, mais leve, e mais rápido. Sem, no entanto, que os critérios de satisfação sejam menos elevados e válidos, em termos de previsibilidade dos comportamentos e das performances. Ainda que sujeito a certos preconceitos e incertezas quanto à sua eficiência, inúmeros estudos científicos, apoiando-se sobre as exigências da psicometria tais como: a fiabilidade, validade e previsibilidade, confirmaram a eficácia deste teste de projecção.
Lembramos que o objectivo do recrutamento é o de responder a uma necessidade interna em termos de recursos humanos. Decisão empresarial que gera custos directos e indirectos, e que representa um investimento numa perspectiva de economia de recursos humanos. Obviamente, os custos directos são relacionadas ao conjunto de operações de avaliação e selecção de candidatos. Quanto às incidências indirectas, elas decorrem principalmente do grau de sucesso e rentabilidade, que depende da ‘’ad-equação’’ indivíduo/empresa ou pessoa/organização. Por outros termos, a congruência entre as expectativas do empregador e o perfil do empregado, ou se as contingências da empresa e exigências profissionais se conciliam com aptidões, interesses, experiências e valores da pessoa, o que conduz a realização vocacional.
Lembramos que o objectivo do recrutamento é o de responder a uma necessidade interna em termos de recursos humanos. Decisão empresarial que gera custos directos e indirectos, e que representa um investimento numa perspectiva de economia de recursos humanos. Obviamente, os custos directos são relacionadas ao conjunto de operações de avaliação e selecção de candidatos. Quanto às incidências indirectas, elas decorrem principalmente do grau de sucesso e rentabilidade, que depende da ‘’ad-equação’’ indivíduo/empresa ou pessoa/organização. Por outros termos, a congruência entre as expectativas do empregador e o perfil do empregado, ou se as contingências da empresa e exigências profissionais se conciliam com aptidões, interesses, experiências e valores da pessoa, o que conduz a realização vocacional.
Serviços disponíveis
Recrutamento: avaliação de candidatos e apoio à sua selecção. Descrição do perfil do posto e critérios de selecção.
Perícia de documentos: Estudo de verificação e autenticação de documentos; falsificação, contrafacção, imitação de textos e/ou assinaturas (cheques, declarações, testamentos, contratos, etc.).
Estudo de personalidade: conhecimento de si próprio ou doutra pessoa por razões de relacionamento: associação profissional, projecto comum (compatibilidade, afinidade, honestidade), relação afectiva intimo.
Psicoterapia: abordagem psico-corporal; desenvolvimento de métodos para atravessar fases difíceis, restabelecer uma auto-estima construtiva, se autonomizar no plano afectivo, ajustar padrões de pensamentos e comportamentos (neuroplasticidade) em vista de optimizar o seu potencial.
Formação: curso orientado numa utilização ética e rigorosa da psico-grafologia
Cursos de formação em grafologia
Após a tradução e adaptação dum conteúdo programático do Francês para Português, oferecemos uma formação estruturada e nivelada em duas fases, adaptada ao contexto lusófono.
Nível 1: Aquisição de conceitos psicológicos e grafológicos inerentes a esta disciplina, ou seja, identificação das tendências predominantes da personalidade de quem escreve, e apropriação de uma metodologia prática. Este curso tem a duração de 44 horas. Para mais informações, consulte os dados indicados em baixo.
Nível 2 : Aprofundamento do estudo, capacitando o formando para redigir o retrato psico-grafológico mais elaborado. Conceber um relatório adaptado a área de intervenção (pessoal, avaliação socio-profissional, outros).
Esta sínteses das várias vertentes associadas à grafologia, foi redigida por Luís Philippe Jorge: psicoterapeuta, psico-grafólogo e especialista em andragogia (pedagogia para adultos). Para mais informações, contacte: Tel.: 214 683 658 Telm: 914 246 593 Mail: luisphilippejorge@yahoo.ca.
Perícia de documentos: Estudo de verificação e autenticação de documentos; falsificação, contrafacção, imitação de textos e/ou assinaturas (cheques, declarações, testamentos, contratos, etc.).
Estudo de personalidade: conhecimento de si próprio ou doutra pessoa por razões de relacionamento: associação profissional, projecto comum (compatibilidade, afinidade, honestidade), relação afectiva intimo.
Psicoterapia: abordagem psico-corporal; desenvolvimento de métodos para atravessar fases difíceis, restabelecer uma auto-estima construtiva, se autonomizar no plano afectivo, ajustar padrões de pensamentos e comportamentos (neuroplasticidade) em vista de optimizar o seu potencial.
Formação: curso orientado numa utilização ética e rigorosa da psico-grafologia
Cursos de formação em grafologia
Após a tradução e adaptação dum conteúdo programático do Francês para Português, oferecemos uma formação estruturada e nivelada em duas fases, adaptada ao contexto lusófono.
Nível 1: Aquisição de conceitos psicológicos e grafológicos inerentes a esta disciplina, ou seja, identificação das tendências predominantes da personalidade de quem escreve, e apropriação de uma metodologia prática. Este curso tem a duração de 44 horas. Para mais informações, consulte os dados indicados em baixo.
Nível 2 : Aprofundamento do estudo, capacitando o formando para redigir o retrato psico-grafológico mais elaborado. Conceber um relatório adaptado a área de intervenção (pessoal, avaliação socio-profissional, outros).
Esta sínteses das várias vertentes associadas à grafologia, foi redigida por Luís Philippe Jorge: psicoterapeuta, psico-grafólogo e especialista em andragogia (pedagogia para adultos). Para mais informações, contacte: Tel.: 214 683 658 Telm: 914 246 593 Mail: luisphilippejorge@yahoo.ca.
Quais os fundamentos fisiológicos e psicológicos da grafologia?
Numa perspectiva fisiológica, o acto de escrever resulta duma coordenação de vários músculos antagónicos, e só se pode efectuar com a activação de processos neuro-fisiológicos. Em relação aos mecanismos motores, o braço e a mão são uma prolongação anatómica do cérebro, que, com a ajuda dum objecto impressor, proporciona esta actividade. Podemos avançar a ideia de que, contrariamente ao aparente, é o cérebro que escreve. A titulo de exemplo, muitos amputados desenvolveram a capacidade de desenhar e escrever com a boca ou o pé. Apesar de parecer um acto reflexo, a aquisição da habilidade necessitou de anos de aprendizagem, até cada pessoa se capacitar e possuir a sua própria escrita, a sua própria maneira de efectuar as letras, de as combinar, de se movimentar na página. Em resumo, o seu próprio gestual caligráfico.
Com os anos, a escrita torna-se progressivamente uma actividade quase automática. No entanto, o acto de escrever decorre de um conjunto de acções e reacções, envolvendo mecanismos neuro-musculares e psicomotores, tais como a postura, a coordenação dos dedos, mão, pulso, braço, ombro, que asseguram o movimento gráfico. Os gestos gráficos conciliam a formação e estruturação das letras e, simultaneamente, o movimento de translação, ou seja, a deslocação da esquerda para a direita, para o que se refere aos modelos ocidentais, e o inverso para as culturas árabes. Para simplificar, todas as regulações motrizes desses gestos são assumidas, entre outros, pelo cerebelo, que distribui a energia nervosa aos movimentos musculares. De facto, o acto de escrever obedece a duas forças antagónicas, exigindo uma coordenação do membro para fornecer força, rapidez e outras particularidades próprias à escrita.
Paralelamente, ao nível neurológico, são activados circuitos neuronais específicos, envolvendo a zona hipotálamica, que pertence ao striatum, mais conhecido por sistema límbico. Este último, o striatum, cérebro dito dos mamíferos, além de assumir as funções ligadas às percepções olfactivas, também regula os comportamentos e as emoções. Este cérebro é o centro das sensações e emoções e constitui um sistema instintivo-afectivo superior que assegura um papel de adaptação dos comportamentos. Ele polariza os eventos perante o princípio de agradável ou desagradável, atracção ou repulsa, prazer ou tristeza, desejo ou medo. É por intermédio do hipotálamo que os nossos automatismos, movimentos e reflexos, se impregnam de afectividade. De facto, o gesto gráfico reflecte os sinais subtis dos sentimentos e estados emocionais de quem escreve. Isto explica, em parte, porque gostamos ou não de uma determina escrita, ou ainda, a escolha preferencial das formas que vamos adoptar ao longo do tempo para personalizar a nossa escrita. Processos que se observam, entre outros, através da necessidade dos adolescentes de pesquisar a sua assinatura e escrita, e muitas outras atitudes psico-afectivas frente às escritas em geral. Todos esses fenómenos confirmam a interacção entre quem escreve com a sua própria escrita, e com as dos outros.
Por fim, tal como a linguagem oral e a leitura, o acto de escrever envolve um conjunto de processos mentais pertencente ao neo-córtex, que assegura as funções cognitivas, as relações de causa/efeito e todas as formas de abstracção. Este cérebro, considerado como mais evoluído, assume essencialmente as funções associativas, perceptíveis, linguísticas, intelectuais, participando, ainda, na elaboração do pensamento, do raciocino em geral e da imaginação: operações indissociáveis do acto de escrever.
Esta síntese, reúne os fundamentos fisiológicos e psicológicos da actividade manuscrita. Em resumo: a psicologia da escrita ou grafologia, constitui uma prova interessante e valiosa para se fazer uma ideia do carácter do escrevente.
Com os anos, a escrita torna-se progressivamente uma actividade quase automática. No entanto, o acto de escrever decorre de um conjunto de acções e reacções, envolvendo mecanismos neuro-musculares e psicomotores, tais como a postura, a coordenação dos dedos, mão, pulso, braço, ombro, que asseguram o movimento gráfico. Os gestos gráficos conciliam a formação e estruturação das letras e, simultaneamente, o movimento de translação, ou seja, a deslocação da esquerda para a direita, para o que se refere aos modelos ocidentais, e o inverso para as culturas árabes. Para simplificar, todas as regulações motrizes desses gestos são assumidas, entre outros, pelo cerebelo, que distribui a energia nervosa aos movimentos musculares. De facto, o acto de escrever obedece a duas forças antagónicas, exigindo uma coordenação do membro para fornecer força, rapidez e outras particularidades próprias à escrita.
Paralelamente, ao nível neurológico, são activados circuitos neuronais específicos, envolvendo a zona hipotálamica, que pertence ao striatum, mais conhecido por sistema límbico. Este último, o striatum, cérebro dito dos mamíferos, além de assumir as funções ligadas às percepções olfactivas, também regula os comportamentos e as emoções. Este cérebro é o centro das sensações e emoções e constitui um sistema instintivo-afectivo superior que assegura um papel de adaptação dos comportamentos. Ele polariza os eventos perante o princípio de agradável ou desagradável, atracção ou repulsa, prazer ou tristeza, desejo ou medo. É por intermédio do hipotálamo que os nossos automatismos, movimentos e reflexos, se impregnam de afectividade. De facto, o gesto gráfico reflecte os sinais subtis dos sentimentos e estados emocionais de quem escreve. Isto explica, em parte, porque gostamos ou não de uma determina escrita, ou ainda, a escolha preferencial das formas que vamos adoptar ao longo do tempo para personalizar a nossa escrita. Processos que se observam, entre outros, através da necessidade dos adolescentes de pesquisar a sua assinatura e escrita, e muitas outras atitudes psico-afectivas frente às escritas em geral. Todos esses fenómenos confirmam a interacção entre quem escreve com a sua própria escrita, e com as dos outros.
Por fim, tal como a linguagem oral e a leitura, o acto de escrever envolve um conjunto de processos mentais pertencente ao neo-córtex, que assegura as funções cognitivas, as relações de causa/efeito e todas as formas de abstracção. Este cérebro, considerado como mais evoluído, assume essencialmente as funções associativas, perceptíveis, linguísticas, intelectuais, participando, ainda, na elaboração do pensamento, do raciocino em geral e da imaginação: operações indissociáveis do acto de escrever.
Esta síntese, reúne os fundamentos fisiológicos e psicológicos da actividade manuscrita. Em resumo: a psicologia da escrita ou grafologia, constitui uma prova interessante e valiosa para se fazer uma ideia do carácter do escrevente.
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